w.c constrangido

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sábado

Aparelho de estimação

Um dia destes, numa destas lojas onde vendem estes minúsculos aparelhos emancipados e auto-suficientes, que provocam dependência física crónica ao “in”comum dos humanos, capaz de o deixar sem saber onde fica o norte e sul, assim que ele, o aparelho, entra em zona desconhecida ou não detectável, tipo triângulo das bermudas ou o elevador mais próximo; que se transforma em amigo confidente quando o seu portador se encontra sozinho numa sala com mais de duas pessoas; que serve de souvenir de mesas de café e que tem a capacidade de se converter num dicionário de português “re”criativo.

Alguém, dirigiu-se com um dos seus 5 objectos, por sinal o mais pequeno de todos, aquele de coleira azul e com um pequeno badalo para não se perder na carteira de mão, e exclamou num visível estado de pânico: “Já não me comunica há dois dias! Quando lhe toco com o dedo dá-lhe súbitos desmaios de luz, ficando durante longos minutos apagado.” A menina da loja, experiente e habituada a receber pessoas desorientadas com os seus aparelhos de estimação, segurou o objecto de forma delicada, como se tentasse que não fosse afectado mais nenhum circuito vital, e informou: “Não há muito a fazer,.. se quiser deixe-o cá para uma análise mais profunda, mas o prognostico não é o melhor.” Segundos depois a menina pergunta: “Já viu o da montra, esse mesmo por trás de si?” O dono do objecto moribundo, rodou a cabeça na direcção que a menina lhe indicava, como se a sua vida dependesse do que a vista lhe esperava e disse: “ A cor não condiz bem com o badalo do antigo, mas fico com ele!”