O ser humano é de facto um bicho estranho. Na sua curta vida, para alem do cumprimento normal dos seus deveres primários como o de construir, consumir e destruir, passa-a a realçar diferenças entre os membros da sua espécie, que analisando bem não o são. São diferenças religiosas, politicas, étnicas, de cor, materiais,.. uma infindável lista que me levaria acrescentar à frase inicial deste texto, uma outra, infindável também, de definições para o bicho chamado homem. Bom, mas o motivo pela qual escrevo estas palavras, é sobretudo para falar de uma nova diferença que prolifera entre alguns daqueles que nasceram de pele esbranquiçada. Estes seres, que eu considero camaleônicos, têm a capacidade de passar num curto espaço dias, de um tradicional islandês onde é difícil distinguir a cor da sua pele com a do seu habitat natural, a alguém digno de uma tribo do Burundi. Para ser mais sucinto, diria que os brancos quererem estar pretos, e os pretos, bom...riem-se dos brancos! É verdade, e este fenómeno tem a particularidade de “atacar” saloios como eu, que ao serem vitimas deste camaleão em plena fase de mudança de pele, levam com todo o tipo de piropos de carácter étnico ou até mesmo estético – dependendo da posição de cada um relativamente ao sol -, que me fazem sentir; como uma ovelha no meio de uma bando de gnus: “Tás branco pá?!” Comentam eles. “Olha o copo de leite!” “Há quanto tempo não vês a cor mar?” A este ultimo ainda hesitei em dar-lhe uma resposta condigna com a pergunta, mas o seu rosto vermelho e em brasa, fez-me hesitar. Ora esta crueldade estétnica, é feita a uma pessoa que sim usa biquíni curto de marca desportiva duvidosa da única vez que vai à praia, que emana uma cor de pele umbilical e que sim faz a famosa baleia branca assim que mergulha no mar, mas que não, não quer ser carne típica de assador, que não, não quer sofrer um choque térmico por usar lubrificantes aceleradores, nem meter-se nu dentro de uma tumba do séc.XXI e nem tampouco, estar preto, porque simplesmente está na moda.
Vou mas é apanhar um pouco de sol para espairecer.