É ridículo: um ginasta vestido de astronauta, executando movimentos olímpicos no dorso de um potro hipnotizado! Foi o que vi! No final do ritual ufano, a avaliação: o homem julgado pela simetria cosmética dos gestos e o cavalo pela cadência robotizada a chicote. Por momentos magiquei uma inversão dos papéis: o cavalo movimentando-se exuberantemente de forma instintiva sem qualquer tipo de mordaça física que lhe aprisionasse os movimentos, e o ginasta como um autómato descoordenado suportando os golpes ferríticos do animal. Este cenário de puro imaginário neural, jamais será possível, pelo facto de o potro, não ter o hábito ancestral de humilhar seres do mesmo átomo.