w.c constrangido

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sábado

Os Terroristas

Os Terroristas, entraram serenamente no edifício do estado. Levam vestido a farda de camuflagem, típica de qualquer terrorista: fato preto brilhante com os contornos a condizerem com a camisa de lapela em bico, uma gravata de cor preta, estreita e de cetim, os sapatos de berloque são negros, brilhantes também;  numa das mãos levam uma mala de pele castanha onde transportam os respectivos explosivos. Na outra mão, seguram o que parece ser um jornal diário.

Sobem ao quinto andar. Passam por uma mulher sentada atrás de um balcão. Ela saúda-os efusivamente. Eles cumprimentam-na com um ligeiro acenar de cabeça. Entram na sala de reuniões. Sentam-se. Colocam as malas em cima da mesa. Abrem-nas. E sem o mínimo tremelicar de dedos, sem a mínima inquietude interior, frios, como os terroristas têm que ser, despoletam com uma vulgar caneta bic, as várias bombas de papel. Não há alarido. Nem tampouco sinais de fumo ou visível destruição. Os Terroristas congratulam-se com um certo ar de solenidade. Saem calmamente da sala. Passam pela mulher. Ela despede-se. Eles ignoraram-na. 

À saída do edifício espera-os uma brigada de repórteres. As perguntas são muitas as respostas poucas ou quase nenhumas, apenas umas eloquentes palavras de um dos Terroristas: Estas duras medidas eram fundamentais. Temos que por fim à volatilidade e à instabilidade social que se vive nos dias de hoje. Uma repórter pede aos Terroristas para definirem a palavra volatilidade mas é rapidamente interrompida por um outro repórter, por sinal, jornalista de formação, que quer saber a hora exacta das explosões. 

Um dos Terroristas responde. 

O repórter aponta (...)