Agora, ali estavam, uma vez mais, a ouvi-lo, num mutismo
profundo; por vezes lá entrelaçavam as mãos maquinalmente, outras vezes
lançavam longos e ténues sorrisos de satisfação, uma satisfação lânguida; o
televisor, conversava, conversava, conversava...
w.c constrangido
quarta-feira
E o televisor, conversava...
Eram três: ele, ela e o televisor. Estavam reunidos numa acanhada
sala de estar, ele e ela sentados sobre um pequeno sofá de três lugares estofado a um couro desbotado que por vezes se tornava incomodamente
escorregadio; o televisor, esse, estava sobre uma arca de madeira antiga, que exibia nas suas extremidades, pequenas figuras eruditas em ferro fundido. De
frente para eles, o televisor conversava: por vezes estrepitosamente, desconexo; outras vezes parecia articular discursos extremamente precisos, loquazes! Eles ouviam-no com uma atenção hipnótica; consideravam-no um interlocutor de
referência, um enorme conhecedor do mundo, das coisas da vida; ele sabia de tudo! e muitas das vezes, era a referência mestre de qualquer acontecimento passado: A sério que é verdade! Disse-o o televisor!...