w.c constrangido

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terça-feira

A pendularidade do homem

Na curvatura do tempo, o homem não guarda um espaço para o instante, para o frêmito do agora; o ontem, sim, numa imagem de caleidoscópio, baça; o amanhã, como janela do salto para o vazio numa esperança de passos de areia que o mar traga. Não encontra um ponto que lhe equilibre os sentidos, não contempla a vida e suas vicissitudes, não se liberta pelo menos uma vez das amarras dos valores, do senso comum, do grito de boca fechada que o mais ténue preconceito umbilical lhe deixou no abecedário do pensamento (...) Bambo, busca a plenitude no artifício: eterna vontade instintiva de adquirir - sem qualquer estremecimento de consciência. Até a morte, velada na conta corrente da retórica, vive como símbolo interior de uma mortificação amedrontada pela sacrossanta verdade, na desesperada tentativa de desresponsabilizar o errante de sentido, que ele próprio escolheu. E é aqui, que o homem perde a confrontação com a sua matriz, com a sua verdade telúrica, ancestral, raiz cósmica do seu ser; finda a programação das coisas, num estado vegetativo, sem um ser e um não ter, braceja agonicamente, de leve sorriso triste, na tentativa última de encontrar a luz à tona da água, que parecendo ser a réstia de claridade almejada, não passa afinal de um mero reflexo da vida.