w.c constrangido

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segunda-feira

Que lhe falassem de futebol!

(...) dizia ele que dessas coisas não entendia: de políticas, de filosofias, de artes, de poesias, isso é muito prá minha cabeça, que lhe falassem – arremessou um olhar - olhe, que me falassem, por exemplo, de futebol! isso sim, isso entendia ele, falemos filosoficamente de futebol! de estatísticas de futebol! de resultados de futebol! - falava agora com mais ímpeto - de foras-de-jogo e de nomes de jogadores de futebol! falemos da poesia no futebol! da arte do golo no futebol! isso sim, isso falo eu!! - concluía com um sorriso que denotava confiança - e na realidade ele gostava da coisa, não sabia bem porquê, mas gostava, era coisa que lhe dava condição, sobretudo na fala, fosse com que fosse, fosse onde fosse e que por ele passava a vida nisto, a vida toda! e se me pagassem...não pagavam, mas gostava, sabia da coisa, não sabia bem porquê, mas sabia, sabia que gostava, da coisa... agora filosofias e poesias, não, que lhe falassem de futebol! de resultados de futebol! da poesia no futebol!