w.c constrangido

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sexta-feira

O Srº Vicente

Era a sua rotina diária: saía manha cedinho sem esperar pelo toque a rebate do galo - em formato despertador a pilhas - e impreterivelmente tinha que passar por ele, só para o ver. Estavam precisamente na flor da vida quando os dois se encontraram pela primeira vez. Era ali, numa beira de estrada, que exibia a sua simetria sedutora e aquela cor refulgente que incidia intensamente como um diamante acabadinho de polir. Era perfeito! Mas só à quinta vez que por lá passou, é que o Vicente decidiu parar.
- É lindo, não é? - realçava o vendedor as suas qualidades.
- Muito....
Agora, amarrado aquela sua bengala que substituía a perna trôpega e já quase imóvel , o Vicente, admirava-o com o carinho de sempre. Ele lá estava à beira de estrada como no primeiro encontro, se bem que a luz que agora reluzia, era a do ferro corroído. Aquele cansaço que o próprio tempo se encarregou de lhe moer, era indisfarçável, e até os gatos, comodistas, que outra hora protegeram-se ali, do mundo cão, fugiam das feridas cravadas no interior do seu corpo que soltavam pingos de gordura lentos, mas incisivos...