w.c constrangido
quinta-feira
O teclado alfanumérico
O homem que ali escreve a estas horas da noite, e as horas não sabemos ao certo
quais são, mas sim sabemos que noite é,
informam os entendidos e este homem tem sempre em conta o que os entendidos informam,
que a noite é boa para as mais diversas divagações, inspirações, reflexões,
erudições,... talvez pelo silêncio enternecedor que a noite transmite, ou pelo
barulho até, ou até mesmo pelo misticismo que dizem os entendidos a noite nos
revela e que nos deixa assim, como este homem, que dizíamos no inicio desta
narração ali escreve a estas horas da noite, ruminando opiniões, criticando,
moralizando, vociferando, insultando e batendo duas vezes com a mão na
secretária de quatro gavetas e que vai, neste preciso momento, com a sua
ferramenta de escrita, um teclado alfanumérico, bater violentamente, e isso não
podemos ver devido ao sitio de má localização onde nos encontramos, mas
garantimos que é verdade, bater na cabeça de um homem que ali passa. Não
sabemos quem este homem é, o agredido, mas sim sabemos que o homem que bateu com o teclado
alfanumérico num outro semelhante, volta agora a casa, isso agora já podemos ver do ponto de onde estamos, e
sem se dar conta, aquele tipo de coisas que não tem uma aparente explicação racional, mas só aparentemente, desperta, confuso,
não entendendo bem o porque de estar o seu instrumento de escrita, um teclado alfanumérico,
ligeiramente danificado nos seus bordos. Coisas da noite, diriam os entendidos.