w.c constrangido

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terça-feira

O dono da cidade - só sua

Do alto do supedâneo, o dono da cidade contemplava o tamanho do seu mundo, da sua terra - só sua. Conhecia-lhe todos os recantos e encantos, é certo! O perfil dos edifícios; de uma ponta a outra o novo e incomensurável parque de Pascoais; a casa das alminhas e a sua porta de madeira bordada a linho com o brasão do município; o chafariz de duas bicas da fonte da água do Sousa; a estátua de Andrade; o obelisco do Cortez, com inscrições hieroglíficas gravadas nos seus quatro lados; conhecia a rota do queijo e do bom vinho; o trajecto do anual desfile de coches clássicos; sabia quanto tempo tardava de automóvel dos paços do conselho ao campo de jogo; sabia quantos postes de luz apagavam durante a noite do lado norte da cidade, e tinha de cabeça todos os cálculos de quanto foi gasto de pedra-mármore, na construção de uma gigantesca trave nas portas da cidade, onde se postava o nome de um industrial já morto. Era de facto um grande conhecedor das coisas, um douto da sua terra!; porém, e com uma inefável ignorância, desconhecia que os seus habitantes ainda sonhavam...