e se for à janela de um comboio...
w.c constrangido
quarta-feira
Diário - Fragmentos
Compostela / Coruña, no comboio. É incrível como todo o meu semelhante que aqui vai sentado de viagem, vai ocupado: são telemóveis, ifhones, ipads, portáteis...Um infindável rol de objectos que ocupam, que distraem o homem transformando-o num ser individualizado, domesticado, robotizado, rotineiro, solitariamente embezerrado neste seu mundo, o mundo cósmico da virtualidade; num prometido progresso sem cheiro, sem vento, sem chuva, sem alma (...) E eu aqui vou, de bloco e caneta na mão, com a minha umbilical e instintiva curiosidade pela vida, a comtemplá-la, a lê-la, e a pensar que o livro, o da vida, é daquelas "ocupações" que devemos obrigatoriamente auto-impor, não só por uma necessidade higiênica mas também e para talvez assim, iniciarmos a viagem ao nosso interior partindo da matriz telúrica.