w.c constrangido

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terça-feira

Diário - Fragmentos

Espinho - É um cenário curioso: vir a uma marginal num final de tarde qualquer e deparar-me com os homens a correr... os homens a correr em solitário, os homens a correr em pelotão, os homens a correr coordenados, em sentidos opostos, de calção de lycra, de fita na cabeça, de sapatilha multicolor última geração, de contador de pulsações no antebraço, de auriculares no ouvido, de respiração ofegante, de peito feito, a puxar de uma perna, em último fôlego, a trote solto, a trote lento, os homens, a correr, os homens a correr na moda...a correr em forma, a correr tanto, mas tanto e em uníssono que canso-me de os ver correr, eu, que passei uma boa parte da minha vida a correr...

Mas porque será que corre tanto o homem de hoje? Para onde corre e com que fim? Não será a corrida do correr um sinal de um tempo? Não estará esta vida a obrigar-nos a correr em demasia?... ao dormir, ao despertar, ao trabalhar, ao comer, ao consumir, ao amar, ao sonhar, ao viver, ao correr...Tudo é a correr nos dias de hoje e talvez por isso os homens correm também na marginal num final de tarde qualquer, sem tempo, de calção de lycra, ofegantes e em forma, em muito boa forma, para quem sabe serem os primeiros a chegar à meta na corrida do Lado Nenhum.
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